Representantes das instituições do Estado,
Distintos parceiros nacionais e internacionais,
Representantes da sociedade civil,
Caros convidados,
Minhas senhoras e meus senhores,
É com profunda honra, mas sobretudo com uma grande responsabilidade emocional, que vos dou as boas-vindas a este segundo dia do nosso Diálogo Nacional.
Hoje não nos reunimos apenas para discutir planos, indicadores ou estratégias. Reunimo-nos para falar de pessoas. De vidas reais. De histórias marcadas pela resistência, pela coragem, pela esperança — e, muitas vezes, pela exclusão silenciosa. A presença de cada parceiro aqui hoje é um sinal claro de que essas vidas importam. É também a prova de que não estamos sozinhos nesta caminhada.
Este encontro acontece num dia profundamente simbólico. 11 de fevereiro é, hoje, o Dia do Orgulho LGBTQI+ em Angola. Uma data que carrega memória, luta e conquista. Foi neste mesmo dia, em 2021, que entrou em vigor o novo Código Penal angolano, abolindo definitivamente leis coloniais que criminalizavam práticas homossexuais e, pela primeira vez na nossa história, passando a criminalizar atos de discriminação baseados na orientação sexual.
Este marco legal não apagou automaticamente o estigma, nem eliminou todas as violências, mas abriu uma porta histórica: a porta do reconhecimento da dignidade humana. E é essa porta que a ÍRIS Angola atravessa todos os dias, de mãos dadas com as comunidades.
O Plano Estratégico 2026–2029 da ÍRIS Angola nasce da escuta. Da escuta atenta das comunidades, dos educadores de pares, das mulheres trans, dos jovens, das pessoas que diariamente enfrentam o medo, a exclusão e a negação de direitos, mas que continuam a acreditar que é possível viver com dignidade em Angola. Este plano reflete uma convicção profunda: não há saúde sem direitos, não há justiça sem inclusão e não há desenvolvimento enquanto parte da população continuar invisível.
Ao longo do nosso percurso, aprendemos que a mudança verdadeira não se constrói apenas com boas intenções. Constrói-se com parcerias sólidas, com confiança, com respeito mútuo e com um compromisso real com resultados que transformam vidas. É por isso que este diálogo com os nossos parceiros é tão essencial. Porque cada avanço alcançado até aqui — na saúde, na proteção social, na justiça e na promoção da cidadania — foi construído coletivamente.
A ÍRIS Angola acredita, profundamente, que uma Angola mais justa é possível. Uma Angola onde ninguém precise escolher entre ser quem é e ter acesso aos cuidados de saúde, à proteção da lei ou ao respeito institucional. Uma Angola onde o orgulho não seja um ato de coragem solitária, mas um direito vivido em segurança e dignidade.
Que este encontro seja mais do que um espaço de alinhamento estratégico. Que seja um momento de empatia, de compromisso renovado e de decisões corajosas. Decisões que coloquem as pessoas no centro e que honrem o princípio maior de que ninguém deve ficar para trás.
Sejam todos e todas muito bem-vindos.
Muito obrigado.


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